Categoria: Direito tributario

  • Dedução integral de gastos escolares para dependentes com autismo

    Dedução integral de gastos escolares para dependentes com autismo

    Famílias com dependentes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam diariamente altos custos com educação, terapias e acompanhamento especializado.

    O que muitas famílias ainda não sabem é que, no momento de declarar o Imposto de Renda, parte desses valores pode estar sendo tratada de forma menos vantajosa, reduzindo a restituição ou aumentando o imposto a pagar.

    Isso acontece porque, em regra, a Receita Federal limita a dedução das despesas com educação. No entanto, a Turma Nacional de Uniformização, ao julgar o Tema 324, consolidou entendimento favorável à dedução integral dos gastos com instrução de pessoa com deficiência, inclusive quando matriculada em escola regular.

    O conflito: Receita Federal x inclusão escolar
    Atualmente, as despesas com instrução possuem limite anual de dedução de R$ 3.561,50 por dependente. Já as despesas médicas não possuem limite de valor.

    Embora a legislação do Imposto de Renda permita a dedução de determinadas despesas de instrução de pessoas com deficiência como despesas médicas, a Receita Federal costuma adotar uma interpretação mais restritiva, condicionando esse abatimento integral ao pagamento feito a entidades destinadas a pessoas com deficiência.

    Na prática, isso acaba limitando o direito de muitas famílias que optam pela inclusão do filho em escola regular, mesmo quando essa escolha está diretamente relacionada ao desenvolvimento, à socialização, à autonomia e às necessidades específicas da pessoa com deficiência.

    Essa restrição administrativa pode entrar em conflito com a Constituição Federal, a Lei Brasileira de Inclusão e a Lei Berenice Piana, que reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais e reforça a importância da inclusão.

     
    O Tema 324 da TNU
    Em outubro de 2023, a Turma Nacional de Uniformização julgou o Tema 324 e fixou a seguinte tese:

    “São integralmente dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, como despesa médica, os gastos relativos à instrução de pessoa com deficiência física, mental ou cognitiva, ainda que matriculada em instituição de ensino regular.”

    Esse entendimento é especialmente importante para famílias com filhos com TEA, pois reconhece que a dedução integral não deve ser afastada apenas porque a criança ou adolescente está matriculado em escola regular.

    Ou seja: a inclusão escolar não pode ser tratada como obstáculo ao aproveitamento do benefício fiscal.

    Na prática: quanto dinheiro estamos falando?
    Imagine uma família que paga R$ 2.000,00 por mês de escola para um filho com TEA. No ano, essa despesa representa R$ 24.000,00.

    • Pela regra comum da Receita Federal: a família aproveitaria apenas o limite anual de educação, atualmente de aproximadamente R$ 3.561,50.
    • Com o reconhecimento como despesa médica: os R$ 24.000,00 poderiam ser deduzidos integralmente, sem o limite aplicado às despesas educacionais.

    Considerando um contribuinte sujeito à alíquota máxima de 27,5%, a economia adicional poderia chegar a aproximadamente R$ 5.620,00 em um único ano, em comparação com a dedução educacional limitada.

    Como recuperar o que foi pago a mais nos últimos 5 anos?
    O Código Tributário Nacional, em seu art. 168, inciso I, permite que o contribuinte solicite a restituição de tributos pagos indevidamente no prazo de 5 anos. Na prática, é possível avaliar os últimos exercícios ainda não atingidos pela prescrição para verificar se houve pagamento de Imposto de Renda a maior. Os valores eventualmente restituídos devem ser corrigidos pela taxa SELIC, desde o pagamento indevido até o efetivo ressarcimento.

    O montante recuperável varia conforme o valor das mensalidades, a alíquota efetiva do contribuinte, o imposto pago em cada exercício e a quantidade de anos abrangidos. No exemplo apresentado, a recuperação dos últimos cinco anos poderia representar mais de R$ 28.000,00, além da atualização pela SELIC, a depender do caso concreto.

    Mas é importante ter atenção ao prazo: quanto mais tempo a família demora para avaliar a situação, maior o risco de perder parte dos valores que poderiam ser recuperados.

    Atenção: não faça isso sozinho na declaração
    Como a Receita Federal ainda mantém entendimento administrativo mais restritivo, lançar a escola regular diretamente como despesa médica, sem análise adequada, pode levar à malha fina, glosa da dedução e eventual autuação.

    Por isso, o caminho mais seguro é avaliar a documentação e, quando necessário, ingressar com medida judicial para reconhecer o direito à dedução integral e à restituição dos valores pagos a maior.

    O que você precisa para começar?
    Para analisar a viabilidade do pedido, é importante reunir:

    1. Laudo médico com diagnóstico de TEA (CID F84);
    2. Contratos, notas fiscais ou recibos da escola dos últimos 5 anos;
    3. Declarações do IRPF dos últimos 5 anos e seus recibos de entrega;
    4. Comprovante de matrícula atual;
    5. Documentos pessoais (RG e CPF).

    Buscar esse direito é uma forma de recuperar valores que podem fazer diferença no orçamento familiar e ajudar a custear educação, terapias, cuidados e recursos essenciais ao pleno desenvolvimento da pessoa com TEA.

    Se você possui dependente com TEA e teve gastos escolares nos últimos anos, vale a pena avaliar se houve pagamento de Imposto de Renda maior do que o devido. A análise jurídica e documental é essencial para verificar a viabilidade do pedido, calcular os valores que podem ser recuperados e definir o caminho mais seguro para evitar problemas com a Receita Federal.

    O escritório Durão Mourão Sociedade de Advogados atua na área tributária e pode auxiliar famílias na avaliação desse direito e na busca pela restituição dos valores pagos a maior.

  • Holding Imobiliária, Locação e Reforma Tributária: como a nova tributação altera o planejamento patrimonial e imobiliário

    Holding Imobiliária, Locação e Reforma Tributária: como a nova tributação altera o planejamento patrimonial e imobiliário

    1. A Reforma Tributária mudou a lógica da atividade imobiliária

    A Reforma Tributária inaugurou uma nova sistemática para a tributação das receitas imobiliárias no Brasil. A partir da regulamentação promovida pela Lei Complementar nº 214/2025, a atividade de locação passa a sofrer incidência do IBS e da CBS, alterando significativamente a estrutura tributária anteriormente aplicada ao setor.

    Até então, a tributação das receitas de aluguel seguia dinâmica substancialmente distinta, sobretudo porque a locação imobiliária não estava sujeita ao ISS, conforme entendimento consolidado pelo STF, e tampouco havia tributação equivalente ao novo modelo de IVA sobre pessoas físicas locadoras.

    Nesse novo cenário, ganha relevância a discussão sobre a permanência da holding imobiliária como mecanismo eficiente de organização patrimonial e economia tributária.

    A resposta, contudo, deixou de ser automática.

    Hoje, a constituição de holding imobiliária exige avaliação técnica individualizada, considerando simultaneamente:

    • volume patrimonial;
    • perfil da atividade locatícia;
    • forma de exploração dos imóveis;
    • finalidade sucessória;
    • estrutura de reinvestimento;
    • perfil dos locatários;
    • impacto do crédito tributário;
    • e incidência futura sobre dividendos.

     

    1. O racional tradicional da holding imobiliária

    Nos últimos anos, a holding imobiliária consolidou-se como uma das principais ferramentas de planejamento patrimonial para proprietários de imóveis destinados à locação.

    A lógica predominante era essencialmente tributária.

    Enquanto a pessoa física permanecia sujeita à incidência de até 27,5% de IRPF sobre os aluguéis recebidos, a pessoa jurídica optante pelo lucro presumido normalmente suportava carga efetiva significativamente inferior, variando, em média, entre 11% e 14,5%.

    Além da diferença de tributação operacional, havia outro fator determinante para a eficiência da estrutura: a possibilidade de distribuição de lucros aos sócios sem incidência de imposto de renda.

    Esse conjunto de fatores permitia relevante redução da carga tributária anual, especialmente para:

    • investidores com múltiplos imóveis;
    • famílias patrimonializadas;
    • estruturas com receitas locatícias recorrentes;
    • operações de reinvestimento imobiliário.

    Assim, a holding imobiliária tornou-se, por muitos anos, uma solução amplamente utilizada para concentração patrimonial e otimização fiscal.

     

    1. O impacto do IBS e da CBS sobre a locação imobiliária

    A principal ruptura promovida pela reforma consiste justamente na inclusão das receitas imobiliárias dentro da lógica de incidência do IBS e da CBS.

    Com isso, pessoas jurídicas locadoras passam a recolher os novos tributos sobre suas operações de locação.

    Além disso, determinadas pessoas físicas também poderão ser enquadradas como contribuintes de IBS/CBS, especialmente nas hipóteses em que:

    • possuírem mais de três imóveis alugados e receita anual superior a R$ 240 mil no ano-calendário anterior; ou
    • auferirem receita superior a R$ 288 mil no próprio ano-calendário.

    Na prática, a reforma reduz parte da assimetria anteriormente existente entre a tributação da pessoa física e da pessoa jurídica na atividade locatícia.

    Ainda assim, isso não significa o desaparecimento da vantagem econômica das holdings imobiliárias.

     

    1. A holding imobiliária permanece economicamente eficiente

    Apesar da ampliação da incidência tributária, estimativas elaboradas após a regulamentação da reforma demonstram que a holding imobiliária continua, em muitos casos, mais eficiente do que a locação exercida diretamente pela pessoa física.

    As projeções indicam que a carga tributária total da pessoa física pode atingir aproximadamente 35,5%, enquanto a holding submetida ao lucro presumido tende a suportar carga próxima de 19,28%.

    Embora a diferença entre os regimes tenha diminuído, a estrutura societária continua preservando vantagem econômica relevante, o que mudou foi o fundamento da eficiência. Antes, a principal justificativa da holding estava concentrada exclusivamente na diferença entre IRPF e tributação empresarial. Agora, somam-se outros elementos estratégicos, como:

    • previsibilidade fiscal;
    • aproveitamento de créditos tributários;
    • organização patrimonial;
    • proteção patrimonial;
    • eficiência sucessória;
    • reinvestimento estruturado de lucros.

    A holding deixa, portanto, de representar mera ferramenta de redução imediata de tributos e passa a assumir papel mais amplo dentro do planejamento patrimonial.

     

    1. O crédito tributário como novo diferencial competitivo

    Um dos aspectos mais relevantes da reforma é a introdução definitiva da lógica de não cumulatividade ampla por meio do aproveitamento de créditos tributários.

    Nesse modelo, empresas locatárias poderão aproveitar créditos de IBS/CBS decorrentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas locadoras.

    Esse fator altera diretamente a dinâmica do mercado imobiliário empresarial. Na prática:

    • empresas inquilinas poderão recuperar parte da carga tributária incidente sobre a locação;
    • contratos firmados com pessoas físicas podem deixar de gerar créditos;
    • imóveis pertencentes a holdings passam a oferecer vantagem econômica indireta aos locatários.

    Como consequência, imóveis inseridos em estruturas societárias tendem a se tornar mais atrativos para locações empresariais em comparação com imóveis mantidos diretamente em nome da pessoa física.

    Assim, a reforma não extinguiu a vantagem competitiva da holding imobiliária — apenas deslocou parte de sua eficiência para a lógica do crédito tributário e da previsibilidade fiscal da pessoa jurídica.

     

    1. O novo cenário das locações por temporada

    A reforma também trouxe impactos relevantes para operações de curta duração realizadas por meio de plataformas digitais, como Airbnb e Booking.

    Essas operações passam a receber tratamento tributário mais próximo da atividade hoteleira, reduzindo significativamente os benefícios anteriormente observados em determinadas estruturas de locação por temporada. Como consequência, a carga tributária efetiva pode praticamente dobrar em comparação à locação tradicional.

    Esse cenário exige revisão estratégica das estruturas patrimoniais adotadas por investidores que exploram economicamente imóveis destinados ao aluguel de curta duração. Isso porque, a depender do volume da operação, da recorrência das receitas e do perfil da atividade, poderá haver necessidade de reorganização societária e tributária.

     

    1. Tributação de dividendos e reorganização patrimonial

    Outro ponto relevante decorre da tributação sobre dividendos introduzida pela Lei nº 15.270/2025, que prevê incidência de IRRF sobre distribuições acima de determinados limites.

    Mesmo diante desse novo cenário, a holding imobiliária continua podendo exercer papel importante como instrumento de reinvestimento patrimonial e centralização de ativos.

    Em especial nas hipóteses de:

    • aquisição de novos imóveis;
    • expansão patrimonial;
    • sucessão familiar;
    • proteção patrimonial;
    • reorganização societária.

    Nesses casos, a retenção dos lucros dentro da estrutura societária pode reduzir significativamente a exposição tributária imediata, além de proporcionar maior racionalidade financeira e patrimonial no longo prazo.

     

    1. Conclusão

    A Reforma Tributária alterou profundamente a lógica do planejamento imobiliário no Brasil. A holding imobiliária deixou de ser uma solução padronizada baseada exclusivamente em economia tributária imediata e passou a demandar análise técnica integrada, considerando simultaneamente aspectos fiscais, patrimoniais, sucessórios e empresariais.

    Ainda assim, a estrutura permanece altamente relevante em diversas situações, sobretudo para:

    • investidores com múltiplos imóveis;
    • famílias patrimonializadas;
    • locações empresariais;
    • operações estruturadas de reinvestimento patrimonial;
    • estratégias sucessórias e de proteção patrimonial.

    Mais do que simples redução de tributos, a holding passa agora a oferecer:

    • previsibilidade fiscal;
    • eficiência sucessória;
    • racionalização patrimonial;
    • possibilidade de aproveitamento de créditos tributários;
    • e maior competitividade nas relações empresariais de locação.

    Nesse novo contexto, a decisão pela constituição — ou manutenção — de uma holding imobiliária deve partir de análise estratégica individualizada, compatível com a realidade patrimonial e operacional de cada contribuinte.

    Quer entender se a holding imobiliária ainda faz sentido para o seu patrimônio após a Reforma Tributária?

    Nossa equipe é especializada em planejamento patrimonial e tributário e pode estruturar soluções personalizadas para proteção patrimonial, eficiência fiscal e organização sucessória, sempre com segurança jurídica e análise estratégica individualizada.

     

     

  • Redução de IRPJ e CSLL para Clínicas Médicas: Equiparação Hospitalar

    Redução de IRPJ e CSLL para Clínicas Médicas: Equiparação Hospitalar

    No universo tributário brasileiro, há oportunidades que, embora consolidadas por teses jurídicas e decisões dos tribunais superiores, ainda são pouco aproveitadas pelas clínicas médicas. Uma dessas oportunidades é a redução das alíquotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para atividades que podem ser enquadradas como “serviços hospitalares”, conforme previsto na Lei nº 9.249/95.

    Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ofereceu uma interpretação ampliativa para o que deve ser considerado como serviços hospitalares. De acordo com a Corte, não são apenas as atividades de internação e cirurgia que se enquadram nesta categoria, mas também quaisquer procedimentos médicos ou odontológicos que promovam a saúde e que demandem infraestrutura especializada. Essa interpretação abriu portas para que diversas especialidades médicas e odontológicas, realizadas tanto em hospitais quanto em clínicas, possam beneficiar-se de alíquotas significativamente reduzidas.

    Para que uma clínica se beneficie dessa redução tributária, é necessário que atenda a determinados critérios: deve estar constituída como sociedade empresária, operar sob o regime tributário do lucro presumido e possuir alvará sanitário emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, os serviços oferecidos devem ser diretamente voltados para a promoção da saúde e comparáveis aos prestados em ambiente hospitalar.

    A aplicação dessa tese pode resultar em uma redução da carga tributária de 32% para 8% no caso do IRPJ e de 32% para 12% no caso da CSLL. Isso é particularmente relevante em especialidades como dermatologia, oncologia, cirurgias plásticas, traumatologia bucomaxilofacial, endodontia, radiologia odontológica, entre outras, onde os procedimentos muitas vezes requerem equipamentos e instalações especiais. Essa economia tributária poderia ser mais explorada se houvesse uma maior divulgação e conscientização entre os profissionais da saúde e gestores das clínicas.

    Ocorre que, apesar das claras vantagens que essa interpretação judicial oferece, muitas clínicas ainda encontram dificuldades para atender plenamente aos critérios exigidos, seja por restrições impostas pela Receita Federal, seja pela necessidade de comprovação em âmbito judicial. Cada caso possui suas particularidades e exige uma análise cuidadosa para verificar a aplicabilidade da redução tributária de forma segura e eficiente.

    Por isso, é fundamental contar com o acompanhamento de um especialista em direito tributário, que pode auxiliar no entendimento e cumprimento dos requisitos legais, garantindo que os benefícios sejam aplicados de forma adequada e conforme a legislação vigente.

  • Principais Instrumentos do Planejamento Sucessório: Como Proteger e Organizar seu Patrimônio

    Principais Instrumentos do Planejamento Sucessório: Como Proteger e Organizar seu Patrimônio

    Elaborar um planejamento sucessório pode parecer complexo à primeira vista, mas com informação de qualidade e orientação profissional, o processo se torna mais claro e seguro. O objetivo é organizar, ainda em vida, como será a distribuição do patrimônio após a morte, prevenindo conflitos familiares e reduzindo custos com inventário e tributos.

    Entre os diversos mecanismos existentes, alguns instrumentos jurídicos e financeiros se destacam pela eficácia. A seguir, conheça os principais.

     

    1. Testamento

    O testamento é um documento legal que permite ao titular (testador) definir, de forma expressa, como deseja que seus bens sejam distribuídos após a morte. É um ato personalíssimo e pode ser alterado a qualquer momento enquanto o testador tiver plena capacidade.

    No Brasil, as formas mais comuns são:

    • Testamento público: elaborado por um tabelião e registrado em cartório, com duas testemunhas.
    • Testamento particular: redigido pelo próprio testador, com a assinatura de três testemunhas.

    Vantagem: Possibilita ao testador (quem faz o testamento) definir claramente os desejos e as instruções para os herdeiros e beneficiários.

     

    1. Doação

    A doação é o ato pelo qual uma pessoa transfere a propriedade de um bem ou recurso para outra, de forma gratuita, ainda em vida.

    No planejamento sucessório, pode ser usada para antecipar a herança e, em alguns casos, reduzir a carga tributária. É possível realizar a doação com reserva de usufruto vitalício, garantindo ao doador o direito de continuar usufruindo o bem até o falecimento.

    Atenção: A doação está sujeita ao pagamento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), cuja alíquota varia conforme o estado. Em São Paulo, a alíquota do ITCMD é de 4%, mas há alguns limites para isenção.

     

    1. Previdência Privada e Seguro de Vida

    A previdência privada e o seguro de vida são instrumentos financeiros muito úteis no planejamento sucessório, pois permitem a transferência rápida de recursos aos beneficiários.

    Diferentemente de outros bens, esses valores não passam pelo inventário, o que garante agilidade no acesso ao dinheiro — recurso que pode ser fundamental para custear despesas imediatas, taxas e impostos da partilha.

    Vantagem: Liquidez imediata e possibilidade de designar beneficiários de forma direta, sem burocracia judicial.

     

    1. Holding Familiar

    A holding familiar é uma empresa criada para concentrar e administrar o patrimônio familiar — como imóveis, participações societárias e investimentos.

    No planejamento sucessório, a holding facilita a transferência de bens, pois, em vez de cada herdeiro receber imóveis ou ativos diretamente, ele recebe cotas da empresa, simplificando a partilha e reduzindo custos.

    Além disso, a holding oferece proteção patrimonial contra riscos e conflitos, e pode trazer benefícios fiscais dependendo da estrutura adotada.

     

    Por que combinar instrumentos pode ser uma boa estratégia?

    Muitas vezes, a estratégia mais eficiente resulta da combinação de diferentes instrumentos jurídicos e financeiros.

    Por exemplo, unir a doação com reserva de usufruto e o seguro de vida, garantindo ao doador o uso vitalício do bem e, simultaneamente, proporcionando aos herdeiros liquidez imediata para custear tributos e despesas da sucessão.

    Cada caso exige análise personalizada, considerando a legislação, a composição do patrimônio e a estrutura familiar.

     

    Conclusão

    O planejamento sucessório é essencial para proteger o patrimônio, reduzir custos, evitar conflitos e garantir que a vontade do titular seja cumprida. Os principais instrumentos — testamento, doação, previdência/seguro de vida e holding — oferecem soluções distintas, que podem ser aplicadas de forma isolada ou integrada, sempre com acompanhamento jurídico especializado.

     

    Quer proteger seu patrimônio e garantir tranquilidade à sua família?

    Nossa equipe é especialista em direito sucessório e patrimonial e pode desenvolver um planejamento sob medida para você, com segurança jurídica e eficiência tributária.

     

  • Herança e Sucessão: Quem Tem Direito e Como Funciona a Partilha de Bens no Brasil

    Herança e Sucessão: Quem Tem Direito e Como Funciona a Partilha de Bens no Brasil

    Após o falecimento de um ente querido, é comum surgirem dúvidas sobre quem tem direito à herança e como ocorre a partilha dos bens. No dia a dia do nosso escritório, recebemos diversos questionamentos sobre o tema, e por isso elaboramos este guia para esclarecer, de forma simples e objetiva, as principais regras.

     

    O que é a herança?

    Herança é o conjunto de todos os bens, direitos e obrigações deixados por uma pessoa falecida e que serão transmitidos aos seus herdeiros.

    Ela engloba não apenas imóveis, veículos, valores e investimentos, mas também dívidas e responsabilidades, formando o patrimônio — positivo ou negativo — a ser partilhado entre os sucessores.

    No Brasil, o Código Civil divide a herança em duas partes: a legítima e a disponível.

    A legítima corresponde à metade do patrimônio total deixado pelo falecido e é dividida entre os herdeiros necessários, que têm prioridade definida por lei, seguindo a ordem de descendentes (filhos), ascendentes (pais) e cônjuge sobrevivente ou companheiro — lembrando que o companheiro é herdeiro necessário conforme decisão do STF, observadas as regras do regime de bens.

    Por fim, havendo ausência desses herdeiros, a lei chama os colaterais (irmãos, sobrinhos, tios e primos) até o quarto grau, que são herdeiros legítimos, mas não são herdeiros necessários e, portanto, não possuem direito à legítima garantida.

    Já a outra metade do patrimônio pode ser livremente disposta e destinada a quem o falecido desejar, incluindo pessoas que não têm parentesco, como amigos.

     

    Quem são os Herdeiros?

    Existem dois grupos principais de herdeiros:

    1. Herdeiros legítimos
    2. Descendentes – filhos, netos, bisnetos;
    3. Ascendentes – pais, avós, bisavós;
    4. Cônjuge ou companheiro;
    5. Colaterais até o quarto grau – irmãos, sobrinhos, tios e primos (também chamados de herdeiros facultativos).

     

    Dentro desse grupo, existem os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge/companheiro). A lei garante a eles pelo menos 50% do patrimônio, chamada de legítima. Essa parte não pode ser retirada, salvo em casos de exclusão judicial (indignidade ou deserdação).

     

    1. Herdeiros testamentários

    São aqueles que recebem bens deixados por vontade expressa do falecido, formalizada em testamento.

    Podem ser parentes ou pessoas sem qualquer vínculo familiar, ficando a escolha totalmente a critério do testador.

    Atenção: mesmo havendo testamento, caso existam herdeiros necessários (descendentes, ascendentes ou cônjuge/companheiro), o falecido poderá dispor livremente apenas de até 50% do patrimônio, respeitando a parte legítima destinada por lei.

    Para melhor compreensão, abaixo uma tabela comparativa que resume as categorias de herdeiros e sua participação na sucessão hereditária:

     

     

    Quem não tem direito à herança?

    Embora, em regra, todo herdeiro tenha capacidade para suceder, a lei prevê hipóteses em que alguém é excluído da sucessão, mesmo sendo herdeiro necessário. Isso pode ocorrer por:

    • Indignidade:
      • Homicídio ou tentativa contra o falecido ou familiares próximos;
      • Denunciação caluniosa ou crime contra a honra do falecido;
      • Impedir, com violência ou fraude, que o falecido disponha livremente de seus bens.

     

    • Deserdação: hipóteses previstas em lei e declaradas por testamento, que também retiram o direito de herdar.
      • Descendentes por ascendentes: agressão física; ofensa grave à honra; relação ilícita com madrasta ou padrasto; abandono em caso de doença mental ou grave enfermidade.
      • Ascendentes por descendentes: agressão física; ofensa grave à honra; relação ilícita com cônjuge de filho ou neto; abandono de filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

     

    Além disso, não podem herdar:

    • Pessoas não concebidas ou nascidas no momento da abertura da sucessão (salvo casos de fertilização assistida post mortem);
    • Testemunhas e quem participou da elaboração do testamento;
    • Concubino de pessoa casada, em relação extraconjugal não eventual com o testador.

     

    E se não houver herdeiros?

    Quando não há herdeiros legítimos nem testamentários — ou quando eles não se apresentam —, ocorre a chamada herança jacente.

    Nessa situação:

    1. Um curador é nomeado para administrar e proteger o patrimônio;
    2. Se, no prazo legal, não aparecer nenhum herdeiro, a herança é declarada vacante e passa para o Município, Distrito Federal ou União, conforme o caso.

     

    Por que conhecer essas regras é importante?

    Saber quem tem direito à herança e como se dá a partilha evita conflitos familiares e ajuda a planejar a transmissão de bens de forma segura. Além disso, é possível prevenir litígios e proteger o patrimônio com planejamento sucessório adequado, utilizando instrumentos como testamento, doação, holding familiar, seguro de vida e previdência privada.

     

    Precisa de orientação sobre herança e sucessão?

    Conte com a experiência do nosso escritório, especializado em Direito Sucessório, para orientá-lo e acompanhar todas as etapas do processo, garantindo segurança e tranquilidade para você e sua família.

  • A Importância da Doação com Reserva de Usufruto no Planejamento Sucessório

    A Importância da Doação com Reserva de Usufruto no Planejamento Sucessório

    O planejamento sucessório é uma ótima ferramenta para a gestão eficiente do patrimônio e a minimização de conflitos familiares após o falecimento de um ente querido. Nesse contexto, surge o instituto da doação com reserva de usufruto.

    O que é a Doação com Reserva de Usufruto?

    A doação com reserva de usufruto é a forma pela qual uma pessoa, o doador, transfere a propriedade de um bem para outra, o donatário, mas detém para si o direito de continuar usufruindo desse bem durante sua vida ou por um período determinado. Assim, o doador assegura o uso e fruição do bem, enquanto o donatário se torna o nu-proprietário, adquirindo pleno direito sobre o bem após o término do usufruto.

    E quais as vantagens no Planejamento Sucessório?

    Utilizar a doação com reserva de usufruto no planejamento sucessório traz algumas vantagens:

    • Redução de Conflitos: Ao definir a propriedade e os direitos sobre os bens ainda em vida, o doador pode evitar disputas entre herdeiros, assegurando que a transição do patrimônio ocorra de maneira suave e conforme seus desejos.
    • Proteção do Doador: O doador mantém o controle e o benefício do uso do bem durante sua vida, garantindo sua segurança e bem-estar.
    • Diminuição da Carga Tributária: Em alguns estados, a transferência dos bens por meio dessa modalidade pode resultar em uma carga tributária reduzida sobre a transferência de patrimônio, em comparação com a transferência por herança.
    • Antecipação da Sucessão: Permite a passagem gradual do patrimônio, facilitando a adaptação dos herdeiros às responsabilidades de sua gestão.
    • Economia nos Custos de Inventário: Não haverá inventário do usufruto em caso de falecimento do doador/usufrutuário, o que elimina custos e despesas associadas a esse procedimento.

     

    E quanto aos aspectos fiscais?

    É fundamental considerar os aspectos legais e fiscais da doação com reserva de usufruto:

    • Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD): A doação é sujeita ao ITCMD, cuja alíquota varia conforme o estado. O planejamento adequado pode ajudar a minimizar esse custo. Vale ressaltar que a Reforma Tributária trouxe uma importante mudança no ITCMD, que agora será obrigatoriamente progressivo e devido ao estado de domicílio do falecido.
    • Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital: No momento da doação, o doador pode ser responsável por pagar imposto sobre ganho de capital, que é calculado com base na diferença entre o valor pelo qual o bem foi adquirido e o valor de mercado no ato da doação.
    • Imposto de Renda na Declaração Anual: Tanto o doador quanto o donatário devem declarar a doação na sua declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. O doador deve informar a saída do bem de seu patrimônio e o donatário deve declarar a entrada do bem em seu patrimônio.
    • Documentação e Registro: A doação deve ser formalizada por escritura pública e registrada em cartório para garantir sua validade.

     

    Quanto do meu patrimônio posso doar?

    É essencial entender que, no contexto do planejamento sucessório, metade do seu patrimônio é reservada pela “legítima” para os herdeiros necessários, como filhos, cônjuge e, em alguns casos, os pais. Essa medida garante que 50% dos seus bens sejam preservados para esses herdeiros. A outra metade do seu patrimônio, no entanto, pode ser doada livremente, de acordo com a sua preferência. Isso permite não apenas a possibilidade de distribuir essa parcela de maneira desigual entre os herdeiros, mas também de incluir pessoas fora do círculo familiar, como amigos ou vizinhos, na sua lista de beneficiários.

    Portanto, a doação com reserva de usufruto se destaca como uma ferramenta estratégica e eficiente no planejamento sucessório, permitindo uma transição patrimonial suave, reduzindo conflitos e custos de inventário, enquanto protege os direitos e interesses do doador. Essa abordagem não só facilita a gestão do patrimônio, mas também proporciona flexibilidade para incluir beneficiários além dos herdeiros legais.

    Esperamos que este artigo ofereça insights valiosos para aqueles que estão considerando incorporar a doação com reserva de usufruto em seu planejamento sucessório. A gestão prudente do patrimônio pode fazer uma grande diferença na preservação de seu legado e na harmonia familiar futura.

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  • Você sabe o que é uma Holding e conhece as vantagens de sua utilização no Planejamento Sucessório?

    Você sabe o que é uma Holding e conhece as vantagens de sua utilização no Planejamento Sucessório?

    Um planejamento sucessório eficiente envolve a utilização de uma série de ferramentas, incluindo doações, usufruto, testamentos, e a organização dos bens através de uma holding. Este artigo propõe-se a analisar a função das holdings dentro do planejamento sucessório, enfatizando as vantagens que oferecem, particularmente no que se refere à otimização tributária e à administração eficaz do patrimônio.

     

    Mas afinal, o que é uma holding?

    É uma pessoa jurídica que tem por objetivo atuar como sócia ou proprietária de outras pessoas jurídicas, de bens e direitos em geral. Sua gestão não está submetida às complexas normas do direito de família, mas sim às práticas comerciais, o que torna a holding uma estrutura versátil e eficaz para administrar patrimônios, melhorando a organização e o controle financeiro e operacional das empresas que gerencia. Dessa forma, a holding se apresenta como uma estrutura flexível e eficiente para a gestão de patrimônios, facilitando o controle e a organização financeira e operacional das entidades sob seu domínio.

    A função principal de uma holding é consolidar a administração de múltiplas empresas ou ativos sob uma única direção. Isso facilita a gestão integrada, podendo levar a economias de escala e a uma estratégia mais alinhada e eficiente. Essa centralização melhora a coordenação de políticas financeiras, tributárias e operacionais entre as empresas associadas, otimizando os resultados e reduzindo os riscos.

     

    E quais os tipos de holding?

    Segundo Gladston Mamede e Eduarda Cotta Mamede[1], são 7 os tipos de holdings:

    –  PURA: Ação entre pessoas jurídicas ou outras criadas em conformidade com a legislação do país de origem, que sejam capazes de perseguir, em qualquer juízo ou serviço, lucros resultantes da empresa da qual detenham participação.

    – PATRIMONIAL: São ações constituídas em torno de processos ou opções que compõem o ativo (debêntures), ou de portfólio de ações ainda detidas pela empresa exportadora da qual oriunda a receita. Pode ser um patrimônio constituído de bens específicos, títulos ou direitos, ou ainda, de ações distribuídas ou negociadas no mercado de capitais.

    –  MISTA: são pessoas jurídicas que possuem como objeto social a produção e/ou comercialização de bens ou prestação de serviços, e também, a participação no capital de outras sociedades;

    –  IMOBILIÁRIA: são pessoas jurídicas criadas especificamente para agirem como instrumento de gestão de patrimônio imobiliário (compra e venda e aluguel de imóveis próprios);

    – DE CONTROLE: sociedade constituída com o objetivo de deter o controle societário de uma ou mais sociedades;

    –  DE PARTICIPAÇÃO: constituída para deter participação no capital de outras entidades, na condição de minoritária, sem intenção de controle;

    –  DE ADMINISTRAÇÃO: pessoa jurídica constituída com o objetivo de centralizar a administração de outras sociedades, compartilhando o planejamento.

     

    E a Holding Familiar?

    Como ensina Jeffeson Valentin[2], a holding “familiar” não é um tipo de holding, propriamente. Elas são holdings de outros tipos, normalmente patrimoniais, constituídas em um contexto familiar, ou seja, para substituir o casal ou uma família na titularidade de bens e direitos.  As pessoas naturais passam a ser detentoras de títulos representativos do capital social da entidade constituída (ações ou quotas) é o patrimônio é gerido observando as regras predefinidas no contrato social ou estatuto.

    Ao criar uma holding, o patriarca ou matriarca da família tem a capacidade de definir regras específicas para a sucessão e gestão dos bens. Esse tipo de holding é geralmente constituído para fins de planejamento sucessório, pois, por meio da aplicação de instrumentos como doação de ações/quotas e usufruto, é possível administrar de forma desburocratizada o patrimônio, minimizar a carga tributária, e ao mesmo tempo, implementar a sucessão da titularidade do patrimônio de forma eficiente, usando um único instrumento de doação para todo o patrimônio.

     

    Especialmente em relação à holding familiar, quais as vantagens de sua adoção como opção ao planejamento sucessório?

    Primeiramente, essa estrutura permite o pagamento de menos impostos, resultando em uma considerável economia tributária, uma vez que rendimentos serão tributados por meio da pessoa jurídica, não mais por meio da pessoa física.

    Para efeitos de comparação, a tributação sobre rendimentos de aluguel recebidos por pessoas físicas pode alcançar até 27,5%, enquanto em uma holding familiar, a carga tributária média é de aproximadamente 11,33%. Adicionalmente, em caso de venda do imóvel, a pessoa física estaria sujeita a um Imposto sobre o Ganho de Capital de 15% a 22,5%. Por outro lado, em uma holding cujo objetivo social inclui a compra e venda de imóveis, o imposto sobre essas transações fica em torno de 6% do valor da venda.

    Além disso, por enquanto – situação que pode se alterar com a Reforma Tributária – as holdings permitem a distribuição de lucros e dividendos aos seus sócios ou acionistas sem a incidência de Imposto de Renda na fonte, desde que cumpram com certos requisitos fiscais e contábeis.

    Outro benefício de utilizar uma holding é a capacidade de estabelecer critérios de sucessão em vida, o que previne conflitos entre herdeiros. Além disso, esse processo é geralmente mais econômico, pois pode minimizar custos associados ao Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cujas alíquotas variam conforme o estado e podem alcançar até 8%. A holding também oferece um processo de transferência de patrimônio mais rápido e menos burocrático comparado ao de um inventário tradicional.

    Ainda, na holding familiar há a possibilidade de administração vitalícia do patrimônio sem necessidade de intervenção dos herdeiros, o que garante uma gestão contínua e estável do patrimônio. O planejamento sucessório se torna mais eficiente, especialmente nas atividades empresariais, facilitando a transferência de controle e propriedade.

    Uma holding familiar também centraliza a administração do patrimônio, oferecendo uma visão unificada dos ativos da família, o que simplifica o gerenciamento dos bens, investimentos e empreendimentos familiares, permitindo um controle mais efetivo sobre os rendimentos e gastos.

    Adicionalmente, uma holding atua como uma forma de proteção contra possíveis credores dos sócios, pois uma vez que os bens estão registrados sob a titularidade da pessoa jurídica, não são diretamente afetados por dívidas pessoais dos sócios, exceto em situações de fraude ou desconsideração da personalidade jurídica.

    Em resumo, entender o que é uma holding e reconhecer suas vantagens pode transformar a forma como você planeja a sucessão e administração de seu patrimônio. Seja para minimizar cargas tributárias, simplificar o processo de transferência de bens, ou proteger o patrimônio familiar de possíveis disputas e credores, a criação de uma holding familiar se mostra um instrumento eficaz e eficiente de planejamento sucessório.

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    [1] MAMEDE, Gladston; MAMEDE, Eduarda Cotta. Holding familiar e suas vantagens: planejamento jurídico e econômico do patrimônio e da sucessão familiar. 10. Ed. São Paulo: Atlas, 2018. P. 16.

    [2] VALENTIM, Jeffeson. Holding: estudo sobre a evasão fiscal no planejamento sucessório. 1ª ed. São Paulo: Letras Jurídicas, 2021. p. 112.

  • Redução de IRPJ e CSLL para Clínicas Médicas: Equiparação Hospitalar

    Redução de IRPJ e CSLL para Clínicas Médicas: Equiparação Hospitalar

    No universo tributário brasileiro, há oportunidades que, embora consolidadas por teses jurídicas e decisões dos tribunais superiores, ainda são pouco aproveitadas pelas clínicas médicas. Uma dessas oportunidades é a redução das alíquotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para atividades que podem ser enquadradas como “serviços hospitalares”, conforme previsto na Lei nº 9.249/95.

    Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ofereceu uma interpretação ampliativa para o que deve ser considerado como serviços hospitalares. De acordo com a Corte, não são apenas as atividades de internação e cirurgia que se enquadram nesta categoria, mas também quaisquer procedimentos médicos ou odontológicos que promovam a saúde e que demandem infraestrutura especializada. Essa interpretação abriu portas para que diversas especialidades médicas e odontológicas, realizadas tanto em hospitais quanto em clínicas, possam beneficiar-se de alíquotas significativamente reduzidas.

    Para que uma clínica se beneficie dessa redução tributária, é necessário que atenda a determinados critérios: deve estar constituída como sociedade empresária, operar sob o regime tributário do lucro presumido e possuir alvará sanitário emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, os serviços oferecidos devem ser diretamente voltados para a promoção da saúde e comparáveis aos prestados em ambiente hospitalar.

    A aplicação dessa tese pode resultar em uma redução da carga tributária de 32% para 8% no caso do IRPJ e de 32% para 12% no caso da CSLL. Isso é particularmente relevante em especialidades como dermatologia, oncologia, cirurgias plásticas, traumatologia bucomaxilofacial, endodontia, radiologia odontológica, entre outras, onde os procedimentos muitas vezes requerem equipamentos e instalações especiais. Essa economia tributária poderia ser mais explorada se houvesse uma maior divulgação e conscientização entre os profissionais da saúde e gestores das clínicas.

    Ocorre que, apesar das claras vantagens que essa interpretação judicial oferece, muitas clínicas ainda encontram dificuldades para atender plenamente aos critérios exigidos, seja por restrições impostas pela Receita Federal, seja pela necessidade de comprovação em âmbito judicial. Cada caso possui suas particularidades e exige uma análise cuidadosa para verificar a aplicabilidade da redução tributária de forma segura e eficiente.

    Por isso, é fundamental contar com o acompanhamento de um especialista em direito tributário, que pode auxiliar no entendimento e cumprimento dos requisitos legais, garantindo que os benefícios sejam aplicados de forma adequada e conforme a legislação vigente.

  • A Importância do Planejamento Sucessório e Patrimonial

    A Importância do Planejamento Sucessório e Patrimonial

    A sucessão patrimonial é, em resumo, a transferência de bens, direitos e obrigações de uma pessoa para outra, tanto em vida, por meio de doações, quanto após a morte. No caso de falecimento, essa transferência pode seguir a vontade expressa pelo falecido em um testamento (sucessão testamentária) ou, na ausência de um testamento, ocorrer conforme as normas estabelecidas por lei (sucessão legítima).

    Mas fato é que, independentemente da forma de sucessão escolhida, o planejamento sucessório é essencial para garantir que essa transferência de patrimônio ocorra de maneira organizada, evitando possíveis conflitos familiares e entraves legais. Além disso, a falta de um planejamento adequado pode resultar em uma carga tributária elevada, comprometendo a continuidade do patrimônio e gerando despesas inesperadas para os herdeiros.

    No tocante à tributação, um dos principais desafios está relacionado à incidência do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), de competência estadual, e cujas alíquotas variam entre 2% e 8%, dependendo do estado. Ocorre que a Reforma Tributária em andamento no Congresso, há uma proposta para tornar o ITCMD obrigatoriamente progressivo, ou seja, a alíquota aumentaria conforme o valor do patrimônio transmitido, o que resultaria em uma tributação maior para sucessões de grande valor, principalmente em estados que atualmente adotam alíquotas fixas.

    Além disso, a proposta prevê que o estado competente para recolhimento do ITCMD será o do domicílio do de cujus, impedindo assim a escolha de um local com tributação mais vantajosa para o caso.

    Além do ITCMD, outros impostos podem impactar o processo sucessório, como é o caso do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e do Imposto de Renda sobre ganho de capital.

    Por isso, para mitigar o impacto desses impostos e garantir uma transmissão patrimonial eficiente, é fundamental utilizar ferramentas jurídicas eficazes para otimizar a carga tributária, assegurando que o patrimônio seja transmitido às futuras gerações de maneira planejada e segura.

    As doações em vida, revisão das estruturas societárias, a diversificação de investimentos e a utilização de consultoria especializada serão essenciais no atual cenário tributário. As novas regras exigem um planejamento mais detalhado e estratégico para garantir a proteção do patrimônio e a eficiência fiscal no longo prazo.

    Além de reduzir os impactos fiscais, o planejamento sucessório simplifica o processo de partilha, ao definir claramente a divisão dos bens entre os herdeiros, especialmente considerando o cenário atual de reforma tributária.

    O planejamento sucessório é a chave para garantir uma transição rápida e organizada, evitando inventários longos e onerosos. Proporciona economia de tempo e recursos, melhor organização patrimonial, prevenção de conflitos familiares e continuidade de empresas familiares.

    Quando feito com uma análise cuidadosa das implicações tributárias, é uma estratégia importante para proteger o patrimônio e garantir sua continuidade. Com o planejamento adequado, é possível evitar custos tributários excessivos, proteger os interesses das gerações futuras e promover uma sucessão harmoniosa e bem estruturada.

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  • Arbitramento ilegal e inconstitucional da Base de Cálculo do ITCMD

    Arbitramento ilegal e inconstitucional da Base de Cálculo do ITCMD

    Método Comparativo Direto de Dados do Mercado

    O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD) sempre gerou muitos debates e, recentemente, na tentativa de contornar o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo quanto a inconstitucionalidade do Decreto nº 55.002/2009, a Fazenda do Estado de São Paulo tem se utilizado de outro método, inconstitucional e ilegal, para majorar unilateralmente a base de cálculo do imposto.  

    Em se tratando de doação por causa mortis, segundo o artigo 38, do CTN, o ITCMD será calculado com base no valor venal do imóvel. Por sua vez, reza a Lei Paulista nº 10.705/2000, que “considera-se valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão ou da realização do ato ou contrato de doação” (art. 9) e que, no caso de imóveis, “o valor da base de cálculo não será inferior ao valor fixado para fins IPTU e ITR” (art. 13). 

    Ou seja, a Lei Estadual fixou como base de cálculo do ITCMD o valor venal do imóvel, considerado o seu valor de mercado na data da transmissão, respeitando-se como limite mínimo o valor fixado para o lançamento do IPTU. Por outro lado, não estabeleceu critérios objetivos para definição do valor de mercado do bem. 

    Em 2009, porém, o Estado de São Paulo editou o Decreto nº 55.002/2009, alterando a Lei Estadual nº 10.705/2000 para equiparar, no caso de bens imóveis urbanos, a base de cálculo do ITCMD ao valor venal de referência do ITBI, divulgado ou utilizado pelo município, vigente à data da ocorrência do fato gerador, sem prejuízo de instauração de procedimento administrativo de arbitramento da base de cálculo. 

    Diante desse contexto, e tendo em vista que apenas a Lei pode majorar tributos, diversos contribuintes se socorreram do Poder Judiciário para que fosse reconhecida a inconstitucionalidade e ilegalidade da pretensão do Fisco, em razão do respeito ao Princípio da Legalidade (art. 150, I, CF/88 e Art. 97, CTN), 

    O Tribunal de Justiça de São Paulo, por sua vez, manifestando-se de forma uníssona, reconheceu a inconstitucionalidade do Decreto, afastando, inclusive, a possibilidade de arbitramento, deixando claro, em diversas oportunidades, que seria permitido ao Fisco rever a base de cálculo adotada pelo contribuinte somente por meio de procedimento administrativo. 

    Justamente por isso, por ocasião da lavratura da escritura pública de inventários, os contribuintes costumam utilizar o valor venal de referência do IPTU para apuração do ITCMD, em respeito aos artigos com respaldo no artigo 38, do CTN e artigos 9º e 13, da Lei nº 10.705/2000.

    Recentemente, porém, esses mesmos contribuintes que tiveram o direito reconhecido pelo Poder Judiciário têm recebido Notificação de Lançamento em que a Fazenda do Estado de São Paulo alega ter identificado, por meio do chamado “Método Comparativo Direto de Dados do Mercado” que no momento da lavratura da escritura pública de inventário os bens teriam sido “declarados por valor inferior ao valor de mercado previsto no artigo 9º da Lei 10.705/2000”, o que justificaria a instauração de “procedimento de arbitramento, nos termos do artigo 11, da Lei nº 10.705/2000”.

    Tal método, no entanto, não adota critérios técnicos rigorosos e carece de respaldo em dados precisos e abrangentes que possam comprovar a transparência e a fundamentação técnica da avaliação. Equiparar a base de cálculo do ITCMD ao valor de mercado com base neste método equivale à utilização de uma “pauta fiscal”, prática que, conforme recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Tema 1.113, não é permitida.

    Além disso, o artigo 11 da Lei nº 10.705/2000 excede os limites estabelecidos pelo artigo 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e desrespeita os comandos do artigo 146, inciso III, da Constituição Federal (CF) e do artigo 110 do CTN, uma vez que a competência para estabelecer normas gerais em matéria tributária é exclusiva da lei complementar, e o uso de métodos arbitrários sem respaldo legal viola esse princípio.

    O caso em questão evidencia a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a metodologia de cálculo da base de cálculo do ITCMD no Estado de São Paulo, pois o “Método Comparativo Direto de Dados do Mercado” não se mostra adequado para assegurar uma avaliação justa e transparente, infringindo princípios legais e constitucionais. A observância estrita da legislação tributária é essencial para garantir a segurança jurídica e a equidade no cumprimento das obrigações tributárias.

    Nosso escritório está à disposição para auxiliar contribuintes que enfrentam situações semelhantes, oferecendo consultoria especializada e suporte jurídico para contestar práticas fiscais ilegais e inconstitucionais.

    Para mais informações e consultas, entre em contato conosco. Estamos prontos para defender seus direitos com excelência e comprometimento.